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Como escolher uma terapia alternativa no tratamento das hepatites

28/06/2010

Antes de se decidir por uma terapia alternativa, devem ser feitas várias perguntas difíceis de responder e que deveriam ser sanadas da melhor maneira possível. É efetivo o tratamento selecionado para as hepatites? Qual são as possibilidades de cura ou expectativas de melhora? Há qualquer arquivo médico ou estudos clínicos que atestem a efetividade dessa terapia?

De acordo com os estudos científicos, as únicas terapias provadas e aceitáveis são aquelas que foram testadas com ensaios em animais e confirmadas em humanos, que publicaram os resultados na literatura médica e ainda que possam ser reproduzidas por qualquer terapeuta. Todas as outras são suspeitas, porém, esta suposição exclui muitos fatores importantes.

O fato é que, por várias razões, alguns estudos não são publicados. Por exemplo, muitas pessoas procuram tratamentos alternativos e, em muitos casos, os pacientes completam uma terapia, mas não mantêm contato com o médico. Em outros casos, morrem pacientes antes que qualquer teste possa ser completado. Outro problema é que as clínicas alternativas usam uma variedade de modalidades chamadas naturais, e isto impede a aceitação por parte dos médicos.

Quando for a uma clínica alternativa, pergunte se você pode ver os arquivos médicos dos pacientes. Embora isso não seja sempre possível, devido ao sigilo do prontuário, muitas clínicas mantêm alguma forma de documentação nas histórias dos casos dos pacientes. Cuidado ao folhear os relatórios dos casos. Por exemplo, se um paciente é descrito como tendo tido hepatite C, diagnosticado por um médico, e, depois do tratamento, parece que se curou, já está aí uma boa razão para desconfianças. A hepatite C pode estar diagnosticada erroneamente, se isso não for feito por um médico especialista. Do mesmo modo, uma aparente cura não é uma estimativa quantitativa e não revela nada. Ou o paciente está negativado ou não está, e deveriam ser listados testes verificáveis e procedimentos que demonstram a história dos pacientes.

Estas são outras perguntas importantes que você deveria fazer ao procurar uma clínica alternativa:

Quais são as credenciais do médico?

Em cada centro de tratamento alternativo, deve existir um médico responsável, mas isso não certifica a qualidade de um tratamento automaticamente. Porém, o médico deverá ser formado em uma universidade conhecida (e não, por exemplo, numa escola por correspondência).

O que estão descrevendo, cura ou melhora do paciente?

Tenha cuidado com a distinção entre cura e melhora clinica. Uma melhora nos sintomas por seis meses não é considerada cura, mas pode significar uma melhora ativa do paciente. Também desconfie de qualquer clínica que faz propaganda extravagante, substancialmente diferente das estatísticas (por exemplo, 80% de curas quando normalmente somente 45% negativam no tratamento médico) sem poder oferecer a confirmação.

A clínica também oferece o tratamento médico convencional?

Um médico alternativo que rejeita qualquer forma de tratamento convencional é suspeito e deveria ser desconsiderado, porque as terapias convencionais podem ser eficazes para alguns pacientes.

Valiosas informações, que também podem ser usadas para endossar uma terapia, podem ser obtidas pelas entrevistas feitas, e confirmadas, com os pacientes. Depois de consultar uma clínica, solicite falar com os pacientes tratados. Qualquer clínica que desaconselhe este processo deveria ser desconsiderada. Informações também podem ser obtidas nas reuniões de grupos de apoio, onde as experiências são discutidas livremente.

De acordo com os médicos, os testemunhos de cura ou melhora podem estar errados pelas seguintes razões:

- os pacientes podem ter uma hepatite C que está progredindo lentamente e não está manifestando nenhum sintoma, mas o tratamento alternativo pode ajudar incrementar a qualidade de vida e o seu estado físico, aparentando uma melhora;

- os pacientes podem ter tido um nível de transaminases que voltou naturalmente à normalidade, já que elas oscilam continuamente, mas o crédito é dado ao tratamento alternativo;

- o paciente que recebeu terapia médica recentemente, enquanto fazia uma terapia alternativa, pode estar experimentando uma regressão devido aos efeitos do tratamento original. Mas, novamente, o crédito é dado à terapia alternativa.

Verifique também se a hepatite C da pessoa foi confirmada por um PCR e por uma biópsia. Pergunte se foram feitos testes específicos e adotados procedimentos de diagnóstico (por exemplo, TGO, TGP, GGT, PCR, testes de função hepática, biopsia, etc.). Averigúe se estes testes foram revisados por um hepatologista ou infectologista competente, ou médicos de um hospital especializado.

Os portadores deveriam ter cuidados ao avaliar toda a informação descrita. E, também, estar atentos a alguns sinais de fraude ou ao comportamento imoral entre os médicos. Enquanto algumas clínicas agem dentro de princípios éticos e profissionais, é mais fácil do que provavelmente imaginamos encontrar charlatões nos tratamentos alternativos.

Algumas indicações para detectar um charlatão


O uso de dupla-conversa

Alguns médicos imorais manipulam os pacientes usando frases enigmáticas, ambíguas, ou ilógicas, e terminologias difíceis. Por exemplo, a declaração de que "a hepatite B não pode ser tratada, mas você pode" é uma forma de dupla-conversa que não tem nenhuma base na realidade ou no bom senso.

As promessas milagrosas

Há sempre palavras ou frases que prometem um grande benefício aos pacientes e que, na observação mais acurada, não fazem nenhum sentido. Por exemplo, este anúncio foi usado para descrever um produto alternativo: "Teoricamente, os nutrientes deste suplemento hormonal podem conter fatores essenciais que ajudarão os hormônios do corpo".

Focalizando o lado falso/positivo

Quando a condição de um paciente não estiver melhorando, os sintomas são usados como um ponto de referência. Por exemplo, se um paciente tiver dor no ombro direito, um charlatão pode falar que a dor não passou para o ombro esquerdo como era esperado e isto é um falso/positivo, e não um sinal de que o tratamento está dando resultados. Deve-se desconfiar destas afirmações, não baseadas em nenhum tipo de teste laboratorial ou médico.

Os testes questionáveis e outras práticas

Enquanto alguns dos testes usados pelos médicos alternativos podem diferir substancialmente dos usados na medicina tradicional, a forma simples de serem feitos não insinua o charlatanismo automaticamente. Porém, se diagnoses amplas ou avaliações do progresso são feitas somente deste modo, baseadas em coisas que excluem todos os outros protocolos normais, o paciente deve manter-se cauteloso.

Isso pode acontecer com alguns terapeutas como os macrobióticos, que avaliam os pacientes pelo lado espiritual/físico, limitando-se à prática das disciplinas médicas metafísicas ou antigas. Significativamente, a franqueza de um médico alternativo para o uso de princípios estabelecidos de diagnose pode servir como uma medida importante de integridade.

Outras considerações importantes

Uma vez tomada a decisão de realizar uma terapia alternativa, os pacientes devem sentir confiança nos princípios do tratamento. Quando o médico do paciente não considerar um tratamento alternativo e nem mesmo quer saber os dados pertinentes, nem histórias do caso ou os resultados das entrevistas do tratamento, então pode estar na hora de achar outro médico com um interesse maior no medicamento alternativo.

Uma vez tomada a decisão, o paciente deveria dar uma oportunidade justa à terapia selecionada. Em alguns casos, o tratamento pode durar só algumas semanas; em outros, mais de um ano. É crucial que os pacientes entendam os elementos envolvidos e que planejem suas vidas de acordo com a terapia. Também é importante que os pacientes tenham o apoio da família e amigos para ajudá-los no tratamento e nos muitos obstáculos que poderão enfrentar.

Na realidade, não é incomum que pacientes interrompam um tratamento porque os familiares não vinham aceitando as regras severas envolvidas. Geralmente, buscam conselho com outros pacientes, e as famílias devem chegar a algum acordo sobre as opções do tratamento. Qualquer dificuldade deverá ser discutida em família, de modo a superar-se o problema.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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