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Terapia hiperbárica - Um alerta!

16/03/2009

O artigo a seguir foi publicado no "The New York Times" e reproduzido em jornais do todo o mundo. A terapia hiperbárica, onde o paciente fica numa câmera de pressão recebendo oxigênio e "vendida" como uma solução para dezenas de doenças, mas tal qual como a ozonoterapia, a auto-hemoterapia, a urinoterapia e tantas outras técnicas alternativas desse tipo de nada servem para o tratamento das hepatites B ou C.

Podem ser úteis em outras doenças, mas quando falam que curam a hepatite estão se referindo a hepatite A, uma doença benigna que cura sem necessidade de tratamento, motivo pelo qual qualquer tratamento pode ser considerado como milagroso, pois se o paciente simplesmente repousa estará curando sem nenhum tratamento. A hepatite A e ideal para quem quer vender um tratamento, pois sempre vai demonstrar a cura do paciente, enganando os incautos que sofrem das hepatites B ou C.

Mais uma vez serve como alerta, pois pacientes ansiosos, deprimidos, não respondedores, etc., podem ser presas fáceis de aproveitadores. O único efeito dessas terapias e ficar sem dinheiro na conta do banco.

As melhores terapias alternativas são o pensamento positivo, a fé em qualquer religião, manter o peso ideal, praticar exercícios físicos aeróbicos, uma alimentação saudável, a psicologia, o compartilhar experiências em grupos de apoio e, até com cuidados e consulta médica algumas vitaminas ou chá de ervas em quantidade moderadas.



Oxigênio para a cura de doenças

Terapia, existente há 300 anos, pode salvar vidas, segundo estudos clínicos e laboratoriais


Jane E. Brody - THE NEW YORK TIMES

A terapia de oxigênio hiperbárico foi, durante muito tempo, considerada "um tratamento sem alvo". Nos últimos anos, contudo, estudos clínicos e laboratoriais encontraram mais de uma dezena de doenças sérias para as quais é considerado uma solução valiosa e que, às vezes, salva vidas.

Apesar de a administração de oxigênio puro numa câmara de alta pressão existir como terapia há mais de 300 anos, só agora está começando a atingir seu potencial, de acordo com reportagem publicada numa edição de novembro no jornal Emergency Medicine.

Ao mesmo tempo, a terapia de oxigênio hiperbárico engrossou a lista de remédios não comprovados para muitas doenças, especialmente as incuráveis como paralisia cerebral e autismo. O uso da terapia nessas situações caracteriza charlatanismo que explora pacientes e pais totalmente desesperados.

Uma família que conheço gastou US$ 40 mil numa tentativa fútil de reverter a paralisia cerebral do filho; outra gastou mais do que isso e até comprou uma unidade hiperbárica para casa para tratar o autismo do filho.


Fator credibilidade

A Sociedade Médica Hiperbárica, organização profissional da área, reconhece 13 doenças que justificam a indicação de pacientes para câmaras de alta pressão que forçam a entrada de oxigênio puro no sangue e nos tecidos.

Onze dessas doenças foram aprovadas pelo seguro saúde Medicare para reembolso, indicando que evidência consolidada sustenta o uso de oxigênio hiperbárico.

A lista inclui doença da descompressão, fasciite necrosante (infecção bacteriana destrutiva), intoxicação por monóxido de carbono, gangrena gasosa (complicação de apendicite aguda), osteomielite (infecção óssea), feridas que não curam e problemas nos ossos e tecidos causados pela radiação.

Não há na lista, contudo, paralisia cerebral, autismo, esclerose múltipla, derrame, degeneração macular, lesão na medula espinhal, lesões decorrentes do esporte, ataque cardíaco, síndrome pós-pólio, doença de Lyme, enxaqueca, cirrose, miastenia grave, fibromialgia ou síndrome de fadiga crônica - entre dezenas de doenças que clínicas independentes afirmam tratar com oxigênio hiperbárico.


Divergências

Ainda há afirmações de celebridades como Michael Jackson, que recorreu ao tratamento na esperança de mantê-lo vivo até os 150 anos, e Keanu Reeves, que o usou para tentar curar insônia.

- Credibilidade é um problema enorme - observa Richard E. Clarke, diretor de uma fundação de pesquisa que patrocina estudos relevantes cientificamente. - Estamos todos no mesmo barco.

Apesar de a terapia de oxigênio hiperbárico ter sido anunciada como benéfica para várias outras doenças, infelizmente, não existe evidência clínica, de acordo com Clarke.

- É uma terapia relativamente cara e que consome tempo, e faz sentido perguntar se é eficiente e se os benefícios são duradouros.

Mesmo para as doenças aprovadas pela Medicare, as evidências são contraditórias.

- Uma crítica persistente da medicina hiperbárica fala da falta de estudos em larga escala, em vários centros para várias das primeiras indicações - destacam Chris Maples e Moss Mendelson da Escola Médica de Virginia em Norfolk, na reportagem da publicação Emergency Medicine.

Os médicos dizem que os dados estão conflitantes, particularmente quanto a intoxicação por monóxido de carbono, lesões e infecções de tecidos.

- Algumas tentativas demonstraram trazer benefícios ao passo que outras não - concluem os dois especialistas.


Além de benefícios, método traz alguns riscos

Um dos problemas que travam o caminho de bons estudos é a dificuldade de prescrever aleatoriamente aos pacientes o tratamento e controlar grupos de um jeito que não percebam que estão num grupo, explica Charles S. Graffeo, especialista em medicina hiperbárica na Escola Médica de Virginia.

Outro problema é achar pacientes suficientes com as mesmas doenças, o que é fundamental para reunir dados estatisticamente relevantes.

Graffeo diz que há boa base teórica e evidência promissora de que a terapia de oxigênio hiperbárico possa ajudar a tratar coágulos na retina, ulceração causada pelo frio, mordidas de aranha e queimaduras.

- Mas não há estudos científicos suficientes - conta. - Conduzir exames clínicos controlados com oxigênio hiperbárico é um pouco mais desafiador do que testar drogas.

O médico pediu aos pacientes que evitem centros hiperbáricos independentes de propriedade de apenas um médico ou um pequeno grupo que não são associados a um grande hospital ou faculdade de medicina. Sobre as promessas feitas por essas clínicas, ele é taxativo:

- Nenhuma organização legítima aprovaria tratamento de paralisia cerebral com terapia de oxigênio hiperbárico. Não vi nada que fosse muito promissor para sustentar esse uso. Se eu tivesse um filho com paralisia cerebral, eu nem cogitaria o tratamento.

Além disso, a terapia não está totalmente livre de riscos, apesar de a maior parte deles ser branda e pequena, e não houve nenhuma fatalidade documentada em mais de 75 anos de uso na América do Norte. Os riscos incluem dor no ouvido, hipoglicemia, miopia que podem durar semanas, e ataques de ansiedade resultantes de confinamento na câmara.

A terapia é perigosa para alguns pacientes, incluindo aqueles com um pneumotórax (acúmulo anormal de ar entre o pulmão e uma membrana) e os que fazem quimioterapia com cisplatinum ou adriamicina. A terapia também pode prejudicar grávidas e pessoas com asma ou câncer, entre outras.


Sucesso

O oxigênio hiperbárico pode salvar a vida de pacientes com doença da descompressão, como mergulhadores que subiram a superfície muito rapidamente. Para os que sofrem de grave intoxicação por monóxido de carbono, o estudo mais rigoroso até agora descobriu que três tratamentos hiperbáricos diminuíram danos cognitivos.

Traumas como ferimentos por conta de colisões e queimaduras que impedem que os tecidos tenham oxigênio adequado também se beneficiam da terapia de oxigênio, assim como infecções que põe a vida em risco como a fasciite necrosante, se a doença for tratada em estágio inicial, segundo especialistas de Virginia.

A terapia foi, segundo Graffeo, útil no tratamento de ulcerações nos pés de diabéticos e infecções ósseas, e em pacientes cujos tecidos foram danificados pela radioterapia. O oxigênio hiperbárico promove a liberação do hormônio do crescimento e ajuda a formar vasos sanguíneos em tecidos irradiados, revela.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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