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Sobre o Chá Verde
Chá verde e outros compostos naturais podem de fato prevenir e tratar o câncer, o coração e o fígado?

31/05/2005

Tomar chá verde como fazem os orientais desde 2500ª.C. é um caminho bastante eficiente para encontrar o tão sonhado bem-estar. Quer saber como e por que isso é possível?


O chá verde é há muito tempo considerado por habitantes da China e do Japão um poderoso composto capaz de proteger a saúde e prolongar a vida. Recentemente foi identificada uma substância presente no chá verde, o epigallocatechin-3-gallate (EGCG), capaz de impedir a proliferação de células cancerosas em pacientes com alguns tipos de leucemia.

Artigo cientifico veiculado na revista The Lancet discute as possibilidades terapêuticas e preventivas do uso de fito fármacos naturais em doenças neoplásicas, como o chá verde e diversos outros compostos que ainda carecem de investigação aprofundada poderiam oferecer alternativas terapêuticas para muitas doenças, inclusive o câncer.

Um outro estudo realizado por pesquisadores do Instituto Britânico de Saúde Infantil coordenado pelo Dr. Anastasis Stephanou na Inglaterra, disseram que um produto químico presente no chá verde pode reduzir a morte celular depois de ataques do coração e derrame, e dessa forma atuar contra a morte de tecidos e evitar a falência de órgãos.

Os pesquisadores mostraram que em células coronárias o epigallocatechin-3-gallate (EGCG) inibe a morte celular, ao que parece através do bloqueio da ação de uma outra proteína, chamada Estrela 1. A Estrela 1 é ativada em células depois de um evento estressante, e contribui para aumentar a morte celular. Aparentemente, O EGCG também acelera a recuperação de células do coração para ajudar a reabilitação do tecido.

Stephanou diz que, ainda que os pesquisadores estejam "extremamente estimulados" pelas descobertas, mais pesquisas são necessárias antes de começar aconselhar às pessoas a beber chá verde após um ataque de coração ou derrame.

Um outro estudo, publicado no Liver Transplantation, o jornal da American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD) e da International Liver Transplantation Society (ILTS) demonstra que o epigallocatechin-3-gallate (EGCG) existente no chá verde, quando pesquisado em ratos com elevado dano hepático, produzido por indução de drogas, conseguiu proteger os mesmos da progressão do dano no fígado, melhorando ainda seu estado histológico.

O estudo foi realizado para se encontrar tratamentos que possam controlar os danos causados pela esteatoses (depósitos de gordura no fígado) já que esta comprovado que fígados gordurosos são muito mais sensíveis ao dano das células e progridem mais rapidamente na fibroses ou na cirroses que os fígados magros, sem esteatoses.

Os ratos foram divididos em três grupos, um recebeu o flavonoide EGCG administrado na forma injetável, um outro na forma oral e um terceiro grupo não recebeu o medicamento. Os ratos que receberam o flavonoide em qualquer uma das duas formas tiveram uma taxa de sobrevivência de 100% contra 65% do grupo que não recebeu tratamento. A biopsia mostrou que os ratos que receberam o flavonoide diminuíram a necrose (morte das células do fígado) demonstrando que o mesmo protegeu o fígado do dano causado pela gordura.

Parece estranho pensar que a solução para muitos de nossos problemas relacionados ao bem-estar e a qualidade de vida possa ser encontrada em uma xícara de chá verde. Mas é isso o que garantem os estudiosos e profissionais da medicina homeopata e chinesa, terapeutas holísticos e também alguns pesquisadores da medicina alopata. O chá verde tem princípios ativos que fazem dele um poderoso aliado no combate aos radicais livres, ao colesterol total e até aos quilinhos a mais.

O envelhecimento, o estresse, a alimentação inadequada, o excesso de peso, o sedentarismo e a ansiedade aumentam a liberação de radicais livres, produzidos naturalmente pelo nosso corpo como conseqüência dos processos que envolvem o funcionamento do organismo como um todo. Estes radicais livres são substâncias tóxicas, que lesam nossas células e até as moléculas de DNA.

O corpo humano possui um processo anti-oxidante natural, ou seja, de neutralizar tais radicais livres. Mas o que acontece é que nosso corpo simplesmente não dá conta de combater o excesso de radicais livres.

É neste ponto que entram os anti-oxidantes, como o chá verde. Além de melhorar a qualidade de vida no processo de envelhecimento, o chá verde combate as inflamações, o estresse, auxilia no tratamento do colesterol e inibe os níveis de leptina no sangue, uma enzima que favorece a absorção de gordura.

Tomar uma xícara de chá verde com a refeição ou ainda duas ou três vezes por dia ajuda o organismo, porem a quantidade máxima que deve ser ingerida do chá por dia e de 1,5 gramas. Tomado em excesso, o chá pode causar irritabilidade, insônia, tontura e palpitação devido presença de cafeína.

A contra-indicação do chá verde, principalmente quando ingerido na forma de chá preto, é a cafeína. Já o chá verde, por passar por um processo com vapor que tira a cafeína, não tem restrições rígidas, desde que de boa procedência.

O chá deve ser preparado com folhas frescas da planta ou ainda com o chá seco, vendido em saquinhos nas farmácias de manipulação ou em supermercados. Primeiro ferva a água, desligue então o fogo e jogue dentro as folhas ou o saquinho, tampe e deixe coberto por cinco minutos. Nunca ferva o chá, pois perderá os efeitos anti-oxidantes. Para quem não gosta do sabor amargo do chá verde poderá colocar junto alguma folhas de menta ou utilizar gotas de suco de limão.

Também é encontrado o extrato seco padronizado, em cápsulas, que concentra os princípios ativos da planta. Estas cápsulas são mais fáceis de encontrar nas lojas que vendem vitaminas ou produtos naturais.

Fontes:
1 - The Lancet, Volume 364, Number 9439, 18 September 2004
2 - FASEB J. published Aug 19, 2004, doi:10.1096/fj.04-1716fje (The Federation of American Societies for Experimental Biology)


Carlos Varaldo
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