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Comparando o interferon peguilado com o convencional no tratamento dos genótipos 2 e 3 da hepatite C

02/07/2012

Um importante estudo acaba de ser publicado no "Brazilian Journal of Infectious Diseases" comparando a resposta terapêutica no tratamento dos genótipos 2 e 3 da hepatite C utilizando o interferon convencional biossimilar utilizado no SUS conforme obriga o protocolo de tratamento, com o tratamento utilizando interferon peguilado.

Entre janeiro de 2005 e dezembro de 2010 um total de 172 pacientes infectados com os genótipos 2 (4,7%) e 3 (95,3%) da hepatite C receberam tratamento de seis meses de duração. Um grupo composto por 114 pacientes, representando 66,3% do total, foi tratado com interferon convencional biossimilar e ribavirina e os restantes 58 pacientes, representando 33,7% do total, recebeu tratamento com interferon peguilado e ribavirina.

Entre os dois grupos não existiam diferenças significativas em relação a idade dos pacientes, sexo, nível de glicose, contagem de plaquetas, estagio da fibrose ou grau de atividade necro inflamatória.

No total, 102 pacientes resultaram curados, representando 59,3% dos pacientes. Já entre os 58 pacientes tratados com interferon peguilado, 46 obtiveram a cura, resultando em 79,3% de resposta sustentada. No grupo tratado com interferon convencional biossimilar a resposta sustentada foi obtida por 49,1% dos pacientes (56 dos 114).

Concluem os pesquisadores que em pacientes infectados com os genótipos 2 e 3 da hepatite C se observa uma maior possibilidade de resposta sustentada ao se realizar o tratamento com interferon peguilado que se utilizado o interferon convencional biossimilar.

MEUS COMENTÁRIOS:

Sempre fui um critico do fato de ainda ser utilizado pelo SUS o interferon convencional no tratamento dos genótipos 2 e 3. Conforme os técnicos do Departamento DST/AIDS/Hepatites essa é uma medida de economia, pois o interferon convencional é muito mais barato.

Sempre discordei de tal argumento, pois considero que não existe medicamento mais caro que aquele que não cura o paciente. O estudo publicado mostra que eu estava totalmente certo.

Fica demonstrado que ao tratar os genótipos 2 e 3 com interferon convencional a metade não consegue a cura, devendo então todos eles ser retratados com interferon peguilado pelo dobro do tempo, isto é por 48 semanas. O mesmo custo com interferon peguilado seria gasto se o total de pacientes teria sido tratado com interferon peguilado em 24 semanas.

Vejam o absurdo, se no primeiro tratamento todos tivessem sido tratados com peguilado por 24 semanas, o governo teria economizado 24 semanas de tratamento com interferon convencional, teria poupado consultas, exames, ribavirina e tudo o que involucra o tratamento, e mais importante ainda, não estaria judiando 50% dos infectados os obrigando a receber dois tratamentos durante praticamente 2 anos, quando poderia ter resolvido o problema em seis meses.

Desculpem-me os funcionários do Departamento DST/AIDS/Hepatites (2012), mas o calculo de fármaco economia que realizam é totalmente incorreto, sem fundamentos, ocasionando um gasto maior ao governo e, ainda, sem respeitar os pobres pacientes que são submetidos à necessidade de dois tratamentos.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Therapeutic effectiveness of biosimilar standard interferon versus pegylated interferon for chronic hepatitis C genotypes 2 or 3 - Aline Gonzalez Vigani; Eduardo Sellan Gonçales; Maria Helena Postal Pavan; Flavia Genari; Raquel Tozzo; Maria Silvia Kroll Lazarini; Viviane Fais; Adriana Feltrin; Neiva Sellan Gonçales; Fernando Lopes Gonçales Jr - Braz J Infect Dis. 2012 Jun;16(3) - Pages 232 to 236


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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