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Tratando a hepatite C em 2016

23/06/2014

Por culpa dos efeitos colaterais e adversos do interferon com sintomas semelhantes aos da gripe o tratamento da hepatite C é complicado. O interferon provoca baixa das plaquetas, queda dos glóbulos brancos, depressão, irritabilidade, problemas nas tiroides, entre outros problemas e, os efeitos da ribavirina provocando importante anemia exigem um médico especialista para administrar o tratamento. Um médico especialista não somente sabe como cuidar dos efeitos colaterais e adversos, mas principalmente os poderá diagnosticar antecipadamente evitando que sejam de tal gravidade que possam colocar em risco o tratamento ou a vida do paciente.

Durante os 10 anos em que o interferon peguilado e ribavirina reinavam soberanos assim foi o tratamento. Em 2011/2012 com a chegada dos inibidores de proteases boceprevir e telaprevir as possibilidades de cura no genótipo 1 aumentam, mas em contrapartida provocam efeitos adversos de maior intensidade e gravidade, tornando o tratamento ainda mais complicado para médicos e pacientes.

Com a chegada do sofosbuvir e do simeprevir o tratamento da hepatite C necessita ainda do interferon peguilado e da ribavirina, continuando obrigatoriamente a ser realizado por hepatologistas, gastroenterologistas e infectologistas devidamente capacitados. Médicos de atenção primaria ou não especialistas evitam tratar a hepatite C e, também, os pacientes fogem de médicos sem o devido conhecimento do tratamento e seus efeitos adversos . Os médicos especialistas são em número insuficientes para atender o número de novos infectados que estão sendo diagnosticados e, ainda, de cuidar todos aqueles que não responderam ao tratamento.

Com a chegada dos medicamentos de uso oral e livres do interferon continuará o tratamento em mãos dos médicos especialistas ou, médicos de atenção primaria com algum conhecimento do tratamento da hepatite C poderão cuidar dos infectados?

A introdução dos medicamentos orais livres de interferon estará iniciando uma nova era no acesso ao tratamento. Não especialistas passarão a tratar os infectados. É importante incentivar esses profissionais os capacitando com informações corretas sobre o tratamento.

Os novos tratamentos provocam um mínimo de efeitos colaterais e raramente efeitos adversos graves. Certamente um médico de atenção primaria, com a devida especialização poderá tratar de infectados que apresentem fibrose mínima ou moderada, mas pacientes com doença avançada ou com outras complicações deverão continuar sendo atendidos pelos especialistas atuais.

Será necessário separar os pacientes, uma espécie de triagem, e fluxos de encaminhamento deverão ser estabelecidos pelas autoridades da saúde e os consensos médicos. Um infectado com fibrose mínima é muito diferente a um paciente com cirrose. O infectado com fibrose mínima ou moderada é somente um paciente com um vírus no organismo que até o momento não prejudicou seu estado de saúde, mas um paciente que já chegou a cirrose é um paciente com sua saúde comprometida e portanto deverá ser cuidado e tratado por um hepatologista ou gastroenterologista ou por infectologista que tenha se especializado no tratamento dos problemas do fígado.

Um exemplo que mostra tal possibilidade de tratamento por médicos de atenção primaria acontece nos infectados com o HIV. Com o tratamento atual de poucas pílulas por dia e com poucos efeitos colaterais, infectados com boa condição clínica estão sendo tratados por clínicos e médicos de atenção primaria, coisa impossível de pensar duas décadas atrás, mas os novos medicamentos permitem dessa forma ampliar a oferta de tratamento.

Os novos medicamentos para tratamento da hepatite C encurtam o tratamento, de 48 semanas para somente 12 (em poucos casos serão necessárias 24 semanas de terapia) e já existem pesquisas para tratamentos de somente 4 semanas ou no máximo 6 semanas. Estamos frente a uma revolução no tratamento, uma realidade que deve ser aceita e para tal o sistema de saúde deverá rapidamente se adequar.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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