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Comentários sobre a proposta do Programa de Hepatites

12/04/2006

Este e-mail e referente a uma reunião no Ministério da Saúde acontecida em 11 de abril onde foram apresentados pelo Programa Nacional de hepatites números totalmente fora da realidade. Passados 20 dias da reunião em Brasília até hoje a sociedade civil não recebeu a "base de calculo" prometida para ser enviada no dia seguinte.

Continuaremos mostrando os números verdadeiros, como prova da tentativa de enganar as ONGs.

Em este artigo comentamos alguns desencontros os quais provocaram a reação de incredulidade dos presentes. Como o texto resposta colocado no dia 12 de abril e muito longo (pode ser lido na integra em http://hepato.com/p_geral/plano_pnhv_2006.rtf e a profissão de médico deixa pouco tempo para a leitura, vamos explicar resumidamente por que denunciamos a inviabilidade do plano apresentado.


HEPATITE B

Em relação à hepatite B, não ter considerado que se trata de um tratamento que sabemos quando se inicia, mas não sabemos quando poderá ser interrompido (com os medicamentos orais, como lamivudine, adefovir e entecavir) mostra que dentro do PNHV falta capacitação técnica em relação às hepatites.

Foi apresentado que entre 2006 e 2008 serão tratados 10.000 pacientes e então dividiram este número por três estimando o custo para os 3.322 pacientes que ingressam no primeiro ano em setenta e quatro milhões de reais. Já no segundo e terceiro ano entrariam mais 3.322 pacientes por ano até completar 10.000 pacientes tratados, mas esqueceram que continuaria a grande maioria de pacientes que ingressaram nos anos anteriores. Por ser um tratamento continuado, que pode levar anos, tal vez toda a vida do paciente, ao se pretender incorporar 3.322 pacientes a cada ano, no segundo ano teremos o dobro que no primeiro e no terceiro o triplo. Os recursos financeiros deveriam então crescer 100% no segundo ano e mais 50% no terceiro.

Mostra isto que nem sequer foi tomado o cuidado de averiguar como e feito o tratamento, qual sua duração. Fazem total confusão entre o tratamento da hepatite B com o tratamento da hepatite C, este sim de duração limitada. Quem escreveu o plano pretende tratar os infectados por 12 meses e depois os abandonar a sua própria sorte. Desconhecem totalmente o que é hepatite B.


HEPATITE C

Em relação à hepatite C, o Plano afirma que foram tratados 6.500 pacientes em 2005. Se 6.500 são o total dos pacientes tratados de hepatite C com os dois interferons, o PNHV não tem nenhum controle sobre o que acontece no país, pois nem sequer se toma o trabalho de checar o consumo de medicamentos e com uma simples operação matemática checar a veracidade da informação, já que o número real de tratados em 2005 posso afirmar que foi superior aos 9.000, conforme já divulguei em e-mail do dia 28 de dezembro.

Já, se os 6.500 tratados se referem somente ao tratamento com interferon peguilado o número também esta errado, pois conforme explicamos no texto original o número de ampolas utilizadas não seriam suficientes para isto. Vamos aguardar a base de calculo prometida, mas será muito difícil mudar estes números, porém, tenham certeza que será impossível explicar.

Tomei-me ao demorado trabalho de verificar o número de ampolas de interferon peguilado e de interferon de 3 milhões de UI em 2005 que se encontram na planilha do DATASUS, fiz o calculo por tempo de tratamento de cada genótipo em função do tipo de interferon e depois lancei as cápsulas de ribavirina para checar de forma definitiva os números disponíveis, fechando assim uma equação incontestável. Seguem os números encontrados.


CONSUMO DE INTERFERON PEGUILADO (PROCEDIMENTOS/MÊS) NO SUS EM 2005

Total de 58.502 procedimentos/mês representando 234.008 ampolas de interferon peguilado, o que corresponde aproximadamente entre 5.000 e 5.500 pacientes que receberam tratamento no ano, com uma media mensal de 4.900 pacientes em tratamento.


CONSUMO DE INTERFERON CONVENCIONAL (ALFA 3.000.000) NO SUS EM 2005

Total de 355.020 ampolas com uma media de 29.585 ampolas por mês, representando aproximadamente 2.300 pacientes/mês em tratamento ou entre 4.000 e 4.500 pacientes tratados no ano.


CONSOLIDANDO

Assim, considerando os dois interferons e, todos os genótipos existentes, vemos que existe uma media mensal de 7.200 pacientes em tratamento nas unidades do SUS, o que resulta em 2005 um total entre 9.000 e 9500 pacientes tratados considerando os dois interferons.

Para confirmar e checar os dados acima nada melhor que confirmar o consumo necessário de ribavirina com o qual podemos realizar a "critica" do numero de tratados.


CONSUMO DE RIBAVIRINA NO SUS EM 2005

Total de 9.823.983 cápsulas, com uma media mensal de 833.333 cápsulas, atendendo em media 7.000 pacientes em tratamento mensal ou 9.500 pacientes no ano.

Os três medicamentos acima nos permitem afirmar que em 2005 o total de tratados pode se situar entre de 9.000 e 9.500 pacientes, sendo 5.350 com o interferon peguilado e 4.500 com o interferon convencional.


CONCLUSÃO

O número de 6.500 tratados em 2005 é um número qualquer, jogado ao acaso por quem fez o Plano.

O PNHV e o Dr. Jarbas Barbosa já falaram publicamente, entre outras questões de menor importância, que o MS tinha gastos superiores aos duzentos milhões de reais por ano com o interferon peguilado (denuncia do Grupo Otimismo aceita pelo TCU e devidamente apurada), já foi levado a anunciar no final de 2004 que todos os 300 CTAs estavam realizando os testes de detecção das hepatites (uma mentira já que atualmente somente 43% deles estão realizando a testagem).

Acredito que não foi culpa do Dr. Jarbas Barbosa. Foi informação levada a seu gabinete pelo PNHV. Os fatos posteriores demonstraram ser informação inconsistente, sem nenhuma base sólida.

Eu, no final do ano passado rompi o dialogo com a coordenação do PNHV exatamente por este tipo de gerenciamento, mas continuo apoiando e acreditando no trabalho do Dr. Jarbas Barbosa. O meu descontentamento e com o PNHV, com a atual equipe


COMENTÁRIO FINAL

Bom, eu acho que se após três anos da atual coordenação do PNHV, quando já assistimos a mil e trapalhadas mil e promessas nunca cumpridas e, ainda, nem sequer sabem quantos estão sendo tratados e não conhecem como e realizado o tratamento da hepatite B, podemos deduzir que as pessoas estão lá simplesmente para receber um salário, para realizar viagens as custas do PNHV.

Espero que agora o Dr. Jarbas Barbosa tome consciência que é impossível continuar a acreditar nesta equipe e que veja que é necessário fazer uma reviravolta total.

Estes são os pontos principais entre os vários relatados, mas não deixem de imprimir e ler o texto completo distribuído ontem (12/04/2006 e que se encontra na nossa página), inclusive a apresentação que mostra as projeções sobre a gravidade do problema.

Assim, em certa forma estou respondendo somente agora o Oficio de Apoio que alguns profissionais assinaram em 14 de março apoiando o PNHV. Os fatos servem como resposta, destacando inclusive que existem alguns que por enquanto não posso contar, pois são manobras de corredores no ministério, mas aquele oficio teve uma articulação da qual algum dia espero poder contar pessoalmente a cada um de vocês.

Entendam que não pretendemos derrubar ninguém, somente queremos que as hepatites passem a ser tratadas como um serio e grave problema de saúde pública.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


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