[:pb]Hepatite B é mais complexa que a C: eis um plano para curá-la[:es]Nueva estrategia global para una cura contra la hepatitis B[:]

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[:pb]Por: Ingrid Hein (23/04/2019)

Artigo publicado na Medscape – 23 de abril de 2019


Viena – Uma estratégia científica global para curar a hepatite B criada pela International Coalition to Eliminate HBV – após uma consulta com mais de 50 cientistas – foi lançada durante o International Liver Congress de 2019.

Apesar de existir um tratamento efetivo da hepatite B e uma vacina para prevenção, 887.000 pessoas em todo o mundo morreram por causa do vírus em 2017, de acordo com um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). E não há cura para as 257 milhões de pessoas com infecção viral crônica.

Na África, a prevalência é de 3%, e “as mortes de adultos infectados nascidos antes da era da vacinação continuarão a aumentar se eles não forem diagnosticados e tratados”, segundo o relatório da OMS.

“Isso é inaceitável”, disse o Dr. Peter Revill, médico do Peter Doherty Institute for Infection and Immunity, em Melbourne, Austrália, que é membro da coalizão.

No entanto, as pesquisas sobre hepatite B são subfinanciadas, “a ponto de ser comparável à uma doença tropical negligenciada”, disse ele ao Medscape.

E uma solução de “tamanho único” não serve. O ciclo de vida do vírus depende do genótipo, e a transmissão difere de região para região, então “países diferentes podem precisar de abordagens diferentes”, explicou. “Na China, a transmissão é vertical; em outras regiões, a transmissão entre adultos é o problema”.

Além disso, enquanto o sistema imunológico de algumas pessoas é capaz de se defender do vírus, o de outras não consegue, por estar enfraquecido ou simplesmente por má sorte.

A hepatite B não respeita fronteiras.

Agora, a coalizão criou um consenso científico sobre como desenvolver uma cura, disse o Dr. Peter. “A estratégia precisa ser global”, acrescentou. “A hepatite B não respeita fronteiras”.

A Dra. Su Wang, médica, descobriu que tinha hepatite B depois de doar sangue, quando estava na faculdade. Como ela estava na China, foi autorizada a continuar sua educação médica, mas isso não acontece em todos os lugares.

Em muitas partes do mundo, a doença ainda é muito estigmatizada, disse a Dra. Su, do Saint Barnabas Medical Center, em Livingston, Nova Jersey.

Para muitos pacientes, o vírus traz sérias consequências. A Dra. Su contou que sabe de pessoas que perderam suas famílias, seus empregos e até mesmo o direito de estudar para se tornar um profissional de saúde. O estigma em si pode transformar uma vida, disse ela, ao contar a história de uma mulher que estava grávida de cinco meses e foi convidada a sair da casa da família do namorado após ter sido diagnosticada.

Nos países pobres, mesmo quando os pacientes recebem medicação, eles geralmente têm dificuldade de realizar exames de sangue para verificar a carga viral, portanto não sabem se o tratamento está tendo algum efeito.

“É uma doença complexa”, explicou a Dra. Su. “Meus pacientes ouvem sobre as pesquisas em andamento” e ficam confusos com o progresso lento, e frustrados por não existir cura.

Consenso sobre uma abordagem em dois níveis

“A hepatite B é uma fera complicada”, explicou o Dr. Peter. Membros da coalizão admitiram que “precisamos de uma abordagem de dois níveis. Temos de focar no vírus e estimular a resposta do hospedeiro”.

O ciclo de vida do vírus da hepatite B é ainda mais complicado do que o da hepatite C. “Os fármacos atuais não atuam sobre o DNA circular fechado de modo covalente (ccc), o reservatório para persistência viral escondida no núcleo.”

De acordo com a estratégia, a primeira coisa que os cientistas precisam entender é como lidar com o cccDNA no núcleo dos hepatócitos, que forma o minicromossoma estável do genoma do vírus da hepatite B.

“Sugerimos que a pesquisa voltada para a eliminação do cccDNA” ou o silenciamento permanente da transcrição do cccDNA deva ser priorizado”, segundo o relatório da coalizão publicado on-line no periódico Lancet Gastroenterology and Hepatology.

Uma compreensão dos mecanismos de cccDNA, o desenvolvimento de marcadores séricos para o cccDNA e métodos para degradá-lo ajudariam a indicar uma cura, assim como os métodos para prevenir a transcrição e o desenvolvimento de sistemas de cccDNA in vitro funcionais.

“Uma verdadeira cura para a hepatite B exige a eliminação do cccDNA intranuclear dos hepatócitos infectados, portanto é essencial compreender os mecanismos envolvidos na biogênese, regulação e estabilidade do cccDNA para alcançar a erradicação do HBV”, disse o Dr. Fabien Zoulim, médico do Hospices Civils de Lyon, na França, que também é membro da coalizão.

Uma segunda prioridade de pesquisa é o sistema imunológico.

Precisamos estimular a resposta imunológica se quisermos acabar com a infecção.

“Precisamos estimular a resposta imunológica se quisermos acabar com a infecção”, disse o Dr. Fabien ao Medscape.

Muitos componentes diferentes do sistema imunológico precisam ser estudados para se conseguir a eliminação viral, por isso a imunidade inata e a imunidade adaptativa em resposta ao vírus são fundamentais.

Isso envolveria determinar se o mecanismo de exaustão de células T é reversível, durável e necessário, e identificar biomarcadores no sangue que melhor refletem a resposta imune intra-hepática. O grau de destruição imunomediada necessário e as categorias de pacientes também precisam ser estabelecidos.

“As estratégias combinadas serão um primeiro passo importante para encontrar a cura”, disse o Dr. Fabien.

Melhorando as perspectivas

Essa estratégia para curar a hepatite B é muito boa porque reconhece as complexidades existentes e nos dá esperança, disse a Dra. Su ao Medscape.

Ela testemunha a falta de compreensão sobre o vírus na prática clínica com seus pacientes. “Eu digo a eles que podem levar uma vida normal, que eu também tenho hepatite”.

“Comecei a ver que a voz do paciente é importante, por isso tento incentivá-los a falar sobre as suas experiências, compartilhar e exigir mais”, acrescentou.

“Esta estratégia é muito mais do que uma diretriz”, disse ela. “Para os pacientes, esta é uma visão realista. Assim como para mim”.

O Dr. Peter Revill, Dr. Fabien Zoulim e a Dra. Su Wang informaram não ter conflitos de interesses relevantes.

Fonte: International Liver Congress (ILC) 2019. Apresentado em 10 de abril de 2019.

 

 [:es]Por: Ingrid Hein (23/04/2019)

Artículo publicado em Medscape – 23 de abr de 2019


VIENA. Una estrategia científica global para curar la hepatitis B, desarrollada por la Coalición Internacional para Eliminar la hepatitis B después de la consulta con más de 50 científicos, fue dada a conocer en el International Liver Congress 2019.

Pese al tratamiento eficaz de la hepatitis B y una vacuna preventiva, 887.000 personas en todo el mundo fallecieron por el virus en 2017 y 257 millones de pacientes presentan infección crónica por el virus, según el informe de la Organización Mundial de la Salud.

Además, en África, la prevalencia es de 3% “y seguirán aumentando las muertes entre adultos infectados nacidos antes de la era de la vacunación si no se diagnostican y tratan”.

“Esto es inaceptable”, señaló el Dr. Peter Revill, del Peter Doherty Institute for Infection and Immunity, en Melbourne, Australia, quien es miembro de la coalición.

Sin embargo, la investigación sobre hepatitis B tiene una gran falta de financiación, “al grado en que se compara con una enfermedad tropical desatendida”, comentó a Medscape Noticias Médicas.

Y una solución “única para todos” no es aplicable. El ciclo de vida del virus depende del genotipo, y la transmisión difiere de una región a otra, de manera que “diferentes países podrían necesitar diversas estrategias”, explicó. “En China, es la madre de un lactante; en otras regiones, la transmisión entre adultos es un problema”.

Además, los sistemas inmunitarios de algunas personas pueden contrarrestar el virus; otras, que tienen un sistema inmunitario agotado o simplemente mala suerte, no lo pueden hacer.

La hepatitis B no tiene fronteras

Ahora, la coalición ha llegado a un consenso científico sobre cómo hacer para desarrollar una curación, indicó el Dr. Revill. “La estrategia tiene que ser global. La hepatitis B no tiene fronteras”.

La Dra. Su Wang encontró que tenía hepatitis B tras haber donado sangre cuando estaba en la universidad. Como era de China, se le permitió continuar su educación médica, pero esto no es aplicable en todas partes.

En muchos lugares del mundo la enfermedad todavía es muy estigmatizada, añadió la Dra. Wang, quien está afiliada al Saint Barnabas Medical Center en Nueva Jersey, Estados Unidos.

Para muchos pacientes el virus tiene consecuencias graves. La Dra. Wang señaló que se entera de personas que pierden familias, trabajos e incluso su derecho a estudiar para convertirse en un profesional de la salud. El estigma en sí puede alterar la vida, refirió la anécdota de una mujer que tenía cinco meses de embarazo a quien se le pidió saliera de la casa de la familia de su novio cuando se le estableció el diagnóstico.

En países pobres, incluso cuando los pacientes obtienen tratamiento, a menudo tienen problemas para que se les realicen pruebas de sangre a fin de verificar su densidad viral, de manera que no pueden saber si el tratamiento está teniendo algún efecto.

“Es una enfermedad compleja”, explicó la Dra. Wang. “Mis pacientes escuchan que se está realizando investigación”, se confunden por el avance lento y se frustran por la falta de curación.

Consenso para un enfoque de dos niveles

“La hepatitis B es una enfermedad compleja”, explicó el Dr. Revill. Miembros de la coalición coincidieron en que se requiere “un enfoque de dos niveles. Necesitamos atacar al virus y a la vez estimular la respuesta del hospedador”.

El ciclo de vida del virus de la hepatitis B es incluso más complejo que el de la hepatitis C. “Los fármacos actuales no atacan el ADN circular covalentemente cerrado, el reservorio de persistencia viral que se oculta en el núcleo”.

De acuerdo con la estrategia, lo primero que los científicos necesitan abordar es cómo hacer frente al ADN circular covalentemente cerrado (ADNccc) en el núcleo del hepatocito, que forma el minicromosoma estable del genoma del virus de la hepatitis B.

“Recomendamos que se priorice la investigación dirigida a la eliminación de ADN circular covalentemente cerrado” o al silenciamiento permanente de la transcripción del ADN circular covalentemente cerrado, declaró la coalición en su informe publicado en la versión electrónica de TheLancet Gastroenterology and Hepatology.

Comprender los mecanismos del ADN circular covalentemente cerrado y desarrollar marcadores séricos para el ADN circular covalentemente cerrado y métodos para degradarlo ayudarían a lograr la curación, lo mismo que métodos para prevenir la transcripción y el desarrollo de sistemas del ADN circular covalentemente cerrado in vitro funcionales.

“Una verdadera cura para virus de la hepatitis B requiere eliminación de ADN circular covalentemente cerrado intranuclear de los hepatocitos infectados, de manera que es indispensable comprender los mecanismos que intervienen en la biogénesis de ADN circular covalentemente cerrado, su regulación y estabilidad para lograr la erradicación de virus de la hepatitis B”, indicó el Dr. Fabien Zoulim, Ph. D., de Hospices Civils de Lyon, en Lyon, Francia, miembro de la coalición.

Una segunda prioridad en la investigación es el sistema inmunitario.

Necesitamos fortalecer la respuesta inmunitaria agotada para poder despejar la infección

“Necesitamos fortalecer la respuesta inmunitaria agotada para poder eliminar la infección”, comentó el Dr. Zoulim a Medscape Noticias Médicas.

Es necesario analizar muchos componentes diferentes del sistema inmunitario para lograr la eliminación del virus, de manera que la inmunidad innata y la inmunidad adaptativa contra el virus son elementos clave.

Esto implicaría determinar si el mecanismo del agotamiento de la célula T es reversible, perdurable y necesario, e identificar biomarcadores en la sangre que reflejen mejor la respuesta inmunitaria intrahepática. También es necesario establecer el grado de destrucción mediada por factores inmunitarios que se requiere y la categoría de pacientes.

“Las estrategias combinadas serán un primer paso importante para encontrar una cura”, destacó el Dr. Zoulim.

Perspectivas de mejora

Esta estrategia para curar la hepatitis B es en realidad satisfactoria, pues define las complejidades y ofrece esperanza, manifestó la Dra. Wang a Medscape Noticias Médicas.

Hay una falta de comprensión sobre el virus que ha observado en sus pacientes infectados. “Les digo que pueden llevar una vida normal, que yo tengo la infección”, agregó.

“Comencé a ver que la participación del paciente es importante, de manera que trato de activar a los pacientes para que expresen más sus inquietudes y demandas, y compartan sus experiencias”, añadió.

“Esta estrategia es mucho más que una guía. Para los pacientes, este es un punto de vista realista. Incluso para mí”, concluyó.

Los Dres. Revill, Zoulim y Wang han declarado no tener ningún conflicto de interés económico pertinente.

Fuente: International Liver Congress (ILC) 2019. Presentado en 10 de abril de 2019.[:]