COVID-19 – Medicamentos, vacinas e testes que estão sendo pesquisados

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Não existem medicamentos ou vacinas para tratar ou evitar a COVID-19.

Uma vacina segura e eficaz provavelmente deverá estar disponível em 2021. Para tratamentos existem muitas pesquisas com medicamentos existentes e com medicamentos experimentais promissores que já se encontram em testes e ensaios clínicos.

Se encontram em diversas fases de pesquisas e ensaios clínicos medicamentos, vacinas e novos exames diagnósticos, testes de anticorpos, tecnologias de rastreamento de pacientes e contatos, vigilância de doenças e outras ferramentas de alerta precoce.

A seguir um breve resumo daqueles que são considerados os estudos mais promissores.

1 – Medicamentos em ensaios clínicos:

Remdesivir, da empresa Gilead um medicamento antiviral injetável mostrou-se promissor contra certos coronavírus em estudos com animais. No primeiro grande estudo randomizado com COVID-19, o remdesivir levou a uma redução estatisticamente significativa no tempo de recuperação de pacientes hospitalizados em comparação com um placebo. O FDA emitiu uma autorização de uso emergencial para o medicamento. Estão em andamento mais de uma dúzia de ensaios clínicos na China, Europa e Estados Unidos, com resultados positivos começando a surgir.

– Hidroxicloroquina / cloroquina, um medicamento antigo para a malária, o lúpus e a artrite reumatóide com atividade antiviral e anti-inflamatória. Um pequeno estudo francês, alguns pacientes com COVID-19 apresentaram melhora, mas não havia como saber se o medicamento era o motivo. Estudos subsequentes não encontraram benefício nos pacientes tratados com o medicamento, e uma grande análise dos dados hospitalares publicados em maio constatou taxas mais altas de óbito nesses pacientes. 

Nnunca deve ser usado sem receita médica e pode levar a efeitos colaterais perigosos no coração. 

– Kaletra (lopinavir / ritonavir), da empresa Abbvie, um antiviral usado para tratar o HIV. Estão em andamento mais de 20 ensaios clínico em todo o mundo.

Um estudo controlado randomizado na China não encontrou diferenças na carga viral ou mortalidade em 28 dias entre 199 pacientes, no entanto, os mesmos médicos do Hospital Jinyintan, em Wuhan, disseram em abril que acreditavam que o Kaletra ajudou alguns dos pacientes com COVID-19 tratados.

– Actemra (tocilizumabe), do Laboratório Roche, é um anticorpo monoclonal aprovado para artrite reumatoide e usado para tratar uma reação exagerada do sistema imunológico chamada “tempestade de citocinas” em pacientes com câncer que recebem um tipo de terapia que pode desencadear essa resposta. O COVID-19 desencadeia uma resposta semelhante em alguns pacientes que se saíram mal. Estão em andamento ensaios clínicos na China, Europa e Estados Unidos em pacientes com COVID-19.

– Kevzara (sarilumabe), do Laboratório Sanofi, um anticorpo monoclonal aprovado para artrite reumatoide. Em ensaios contra a resposta imune à tempestade de citocinas em pacientes com COVID-19 gravemente enfermos. Os primeiros resultados anunciados no final de abril sugerem um benefício para os pacientes mais críticos.

– Mesilato de camostato é um inibidor de protease licenciado no Japão e na Coréia do Sul para tratar pancreatite crônica. Um estudo de fase 2 na Universidade de Aarhus examinará as alterações de 30 dias na gravidade e mortalidade da doença, com resultados esperados para dezembro de 2020. A Universidade de Tóquio e a universidade de Yale também planeja um estudo com o mesilato de camostato. Um longo histórico de segurança contribui para testar o medicamento.

– Jakavi (ruxolitinibe), da empresa Novartis é um inibidor do JAK, Jakavi é aprovado para tratar os raros cânceres da medula óssea mielofibrose e policitemia vera. Estudos no Canadá e no México testarão o medicamento em pacientes COVID-19 com pneumonia grave associada à resposta imune à tempestade de citocinas.

– RhACE2 APN01, da empresa Apeiron Biologics, está sendo testado na Áustria para ver se pode bloquear a entrada viral e diminuir a replicação viral em pacientes com COVID-19, reduzindo as mortes ou a necessidade de ventilação mecânica. 

– Células NKG2D-ACE2 CAR-NK, medicamento que está testado para observar se pode impedir que o vírus SARS-CoV-2 entre nas células. Estudo do centro médico de saúde pública de Chongqing.

– Aplidina (plitidepsina) da empresa Pharmamar, uma terapia de câncer aprovado na Austrália, que demostra atividade contra um coronavírus diferente em estudos de laboratório e deve entrar nos estudos com COVID-19 na Espanha.

– IFX-1 da empresa Inflarx, é um anticorpo monoclonal projetado para bloquear a inflamação. No início de abril, foi lançado um estudo na Holanda para testar o IFX-1 em pacientes com pneumonia grave por COVID-19.

2 – Vacinas

– Vacina mRNA 1273, do Laboratorio Moderna.

Vacina de RNA feita com RNA mensageiro (mRNA) que codifica a proteína spike na superfície do novo coronavírus (SARS-CoV-2) e entregue via nanopartícula lipídica. É estimado que a vacina inicie grandes testes em estágio final em julho e receba uma revisão rápida da FDA.

– Plasma convalescente, de pacientes curados o plasma sanguíneo de pacientes recuperados com COVID-19 é transfundido em pacientes que estão atualmente doentes, na esperança de que anticorpos produzidos recentemente ajudem a combater o vírus. O método é utilizado há mais de 100 anos e apresenta pouco risco de danos ou efeitos colaterais. Pequenos estudos de caso sugerem que isso pode ajudar a reduzir os níveis de vírus, e ensaios controlados estão em andamento na China, Europa e Estados Unidos para reunir evidências mais fortes de um benefício. 

– NVX-CoV2373, da empresa Novavax, é uma vacina estudada para melhorar as respostas imunes. 

– BNT162, vacina da Pfizer / Biontech, vacina que já deu início atestes em humanos na Alemanha no final de abril e nos EUA no início de maio. 

– AZD1222, da Vacina da Universidade de Oxford / Astrazeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford teve início de testes em humanos em abril. Brasil foi selecionado para realizar já em junho um ensaio com 2.000 voluntários.

– mRNA, vacina da empresa Curevac, em maio, a empresa alemã anunciou que seu candidato a vacina contra o coronavírus produzia respostas imunológicas fortes e equilibradas em testes em animais e o objetivo da empresa de iniciar testes em humanos em junho de 2020.

– Similar a vacina do sarampo, das empresas Themis biociências / Merck, originalmente desenvolvida no Instituto Pasteur e licenciado pela Themis Biosciences, esta vacina usa uma versão geneticamente modificada de um vírus do sarampo enfraquecido que incorpora instruções para produzir proteínas “antígenas” SARS-CoV-2 para induzir uma resposta imune. 

– rVSV, das empresas Iavi / Barda / Merck, vacina desenvolvida sem fins lucrativos também usa uma versão modificada (recombinante) de um vírus enfraquecido. É a mesma tecnologia da vacina ERVEBO da Merck, recentemente aprovada pela Comissão Europeia e pelo FDA dos EUA. 

– Vacina de Minigene Lentiviral (LV-SMENP) do Instituto médico geno-imune de Shenzhen, composta de mini genes modificados que codificam antígenos virais para infectar células dendríticas do sistema imunológico para induzir imunidade.

– Vacina BCG contra tuberculose, Instituto de pesquisa infantil Murdoch, vacina contra a tuberculose que induz uma ampla resposta inata do sistema imunológico, que demonstrou proteger contra infecções ou doenças graves por outros patógenos respiratórios. Grandes ensaios na Austrália e na Holanda estão testando se o uso do BCG para acelerar as defesas imunológicas em profissionais de saúde e idosos.

– INO-4800 da Inovio Pharmaceuticals / CEPI, vacina de DNA aplicada na pele, por meio de um adesivo, usando um breve pulso eletrônico de baixa voltagem para induzir a abertura das membranas celulares.

– AD5-nCov, vacina do Beijing Institute of Biotechnology, o estudo de fase 1 na cidade de Wuhan, China, começou em março para testar a segurança e as respostas imunes geradas por uma vacina recombinante que usa outro vírus respiratório, o adenovírus, para distribuir o material da vacina. 

– Vacina adjuvante das empresas Sanofi – GSK, os dos maiores fabricantes de vacinas do mundo anunciaram que se uniriam para criar e testar tecnologias já comprovadas em vacinas contra a gripe. Em todos os candidatos, o antígeno recombinante da proteína S COVID-19 da Sanofi receberá um impulso do adjuvante AS03 da GSK. 

3 – TESTES DIAGNÓSTICOS

– Cobas SARS-CoV-2 da Roche, teste diagnostico já aprovado nos Estados Unidos em março, realizado por amostra colhida por swab nasal deve ser enviado a um laboratório para análise para detectar RNA viral. 

– ID Now da Abbott, teste diagnostico já aprovado nos Estados Unidos em março, é um teste rápido de diagnóstico molecular da Abbott pode fornecer resultados no local para os pacientes em questão de minutos, no próprio local.

– Ensaio de IgG do SARS-CoV-2, da Abbott, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington dizem que o teste tem uma especificidade de 99,9% e uma sensibilidade de 100%, sugerindo muito poucos falsos positivos e nenhum falso negativo. 

– Elecsys Anti-SARS-CoV-2, da Roche, e realizado na plataforma de testes Cobas, com 98% de especificidade e 100% de sensibilidade na detecção de anticorpos 14 dias após o diagnóstico de uma infecção. 

FINALIZANDO

Estamos passando um ano difícil e complicado, com uma pandemia que obriga todos aqueles considerados de alto risco, a manter o isolamento e distanciamento social.  Mas vamos ter esperança que em poucos meses voltaremos a ter uma vida normal.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com

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