Diagnostico: hepatite C! Qual o meu futuro?

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É a pergunta que mais freqüentemente recibo por quem acaba de ser diagnosticado com a hepatite C. Quando e recebido o diagnostico a maioria das pessoas somente sabe que o vírus da hepatite danifica o fígado e que pode levar a cirrose, a um câncer hepático e a morte, mas praticamente ninguém sabe se isso acontecerá com ele, como isso acontece, quanto tempo pode levar essa progressão.

Lamentavelmente não existem formulas matemáticas para calcular como a doença poderá avançar para cada uma das suas fases de ataque ao fígado. O que estatisticamente é conhecido e que um em cada quatro infectados com a hepatite C apresentam um dano progressivo, grupo esse que necessita de tratamento imediato.

O médico poderá “estimar” um prognostico individual para cada paciente baseado em estudos de grandes grupos de pacientes. Existem estudos “retrospectivos” os quais correlacionam o estagio atual do fígado do paciente com o que foi encontrado quando o mesmo foi diagnosticado com hepatite C. O problema neste grupo de pacientes e que muitos passam a ser avaliados quando por apresentarem sintomas a infecção e diagnosticada, mas não existem dados que possam informar o tempo de infecção anterior ao diagnostico.

Outros estudos são realizados na forma “prospectiva”, isso é, acompanham o paciente desde o momento da infecção. Estes grupos incluem pacientes que receberam uma transfusão de sangue, se estimando que essa possa ser a fonte da infecção e por tanto e possível se calcular o tempo transcorrido e as alterações acontecidas no fígado nesse período.

Atualmente surgem estudos combinados, trabalhando de forma retrospectiva e prospectiva . Os pacientes incluídos nesses grupos são aqueles em que é possível se identificar a fonte e data da infecção e então passam a ser acompanhados prospectivamente. Os dados desta forma de estudos serão de muita importância para poder se saber a verdadeira historia natural da progressão da hepatite C no ser humano.

A progressão da hepatite C não e simples de ser calculada, mas os diversos estudos já publicados mostram que após a infecção, em 25% dos infectados a fibrose leve ou moderada leva entre 10 e 14 anos para aparecer. A cirrose aparece após 20 anos a infecção e o câncer aparece em media aos 28 anos de ter acontecido a infecção.

Mas são muitos os fatores que alteram essa estatística. Um número significativo pode chegar a um quadro de cirrose entre 10 e 15 anos após a infecção. A idade do individuo e o consumo de bebidas alcoólicas acelera a progressão. Pessoas mais velhas apresentam progressão mais acelerada que pessoas jovens ou de media idade. A co-infecção com a hepatite B acelera o dano hepático, já em relação a co-infecção com o HIV existem controvérsias se o mesmo influi na progressão da fibrose, faltando provas conclusivas.

Embora muitos infectados não apresentam nenhum sintoma, as transaminases sempre se encontram em níveis normais e a biopsia mostra uma fibrose inicial ou moderada, isso não significa que não estão sendo atacados. Este grupo simplesmente progride mais lentamente.

Após o contagio com a hepatite C aparece a inflamação do fígado, uma reação normal quando as células hepáticas tentam combater a infecção. Nesta fase o individuo pode sentir um incomodo do lado direito superior do abdome, já que o fígado se encontra aumentado de tamanho e encosta na parede do abdome. Um bom médico ao apalpar o fígado vai notar ele aumentado de tamanho e também, pela ultrassonografia poderá se verificar o tamanho aumentado.

O fígado inflamado por muito tempo (meses ou anos conforme a progressão da doença em cada individuo) acabará formando cicatrizes que num primeiro estagio e chamada de fibroses. A medida que aumenta o grau de fibrose partes saudáveis do fígado começam a ser prejudicadas, causando uma diminuição da função hepática. Se o tratamento consegue eliminar o vírus a fibrose poderá, lentamente, se regenerar, se observando uma regressão progressiva no grau de fibrose.

Permanecendo a inflamação por muitos anos o grau de fibrose continuará a progredir, chegando a seu estagio máximo de cicatrização quando então estaremos na presença da cirroses. Neste ponto as áreas afetadas se encontram praticamente em todo o fígado, dificultando o fluxo do sangue e prejudicando amplamente a função hepática.

Na fase da cirrose o fígado luta incansavelmente para executar seu trabalho de metabolizar alimentos e transformar as toxinas, mas devido ao dano existente se transforma em um ambiente ideal para a mutação de células, o que pode acelerar o aparecimento do câncer no fígado.

A fase terminal de um fígado e quando o mesmo não consegue mais trabalhar, considerando então um quadro de insuficiência hepática, momento em que será necessário o transplante de fígado para evitar a morte do paciente.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
– Ryder, SD, MD, Progression of hepatic fibrosis in patients with hepatitis C: a prospective repeat liver biopsy study, Gut, 2004.
– www.brown.edu, Hepatitis C: Epidemiology, Brown University, 2008.
– www.medpagetoday.com, Mortality from Hepatitis C-Related Disease at Near-Record High, Michael Smith, MedPage Today LLC, March 2008.

Carlos Varaldo
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