Apresentações na hepatite C no Congresso Americano de Fígado “The Liver Meeting – AASLD 2020”

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Entre os 154 trabalhos sobre hepatite C apresentados e discutidos no Congresso Americano de Fígado “The Liver Meeting – AASLD 2020”, destacamos os seguintes:

1 – Apresentados cálculos econômicos sobre o custo do tratamento em comparação com a redução de despesas em cinco anos na saúde, saúde pública, confirmando que tratar é mais barato que não tratar. (AASLD 2020 – Oral 45).

2 – A apresentação Oral mostrando as tendências calculadas pela Organização Mundial da Saúde sobre a mortalidade por hepatite C entre os anos de 1999 e 2019 feito pelo “Global Burden of Disease (gbd) Study” mostrando que poucos países atingiram as metas da OMS para quedas superiores a 10% na mortalidade, alertando que faltando somente 10 anos para atingir a meta de eliminação da hepatite C em 2030 os países com maior mortalidade devem aumentar a testagem e implementar tratamentos para os infectados. (AASLD 2020 – Oral 48).

3 – Um estudo asiático mostrou que infectados que antes do tratamento apresentam o marcador de AlfaFetoProteina elevado, permanecem em risco de desenvolver câncer de fígado após conseguir a cura da hepatite C. (AASLD 2020 – Oral 46).

4 – Estudo realizado no Japão mostrou que a contagem inicial de plaquetas pode ser um marcador clínico simples para prever o desenvolvimento de descompensação hepática em pacientes com cirrose compensada que foram tratados com os medicamentos de ação direta e conseguiram a cura da hepatite C, mas a descompensação hepática foi maior naqueles a tinham um número de plaquetas baixo antes do tratamento. (AASLD 2020 – Poster 863).

5 – Estudo realizado nos Estados Unidos mostra que infectados que durante o tratamento conseguem negativar o vírus prematuramente possuem a mesma possibilidade de cura que aqueles que se manter detectáveis até praticamente o final do tratamento, recomendando portanto, a não realização da carga viral durante o tratamento, economizando assim custos. (AASLD 2020 – Poster 865).

6 – Uma das apresentações que recebeu o premo do Congresso foi um trabalho da Índia mostrando que no final do tratamento a regressão da fibrose foi alcançada mais rápido nos pacientes tratados com os medicamentos de ação direta que nos pacientes tratados um interferon e ribavirina. (AASLD 2020 – Poster 866).

7 – Na Itália o seguimento de um grande número de infectados com cirrose, curados da hepatite C mostra que fatores genéticos e esteatose predispõem a possibilidade de desenvolver câncer de fígado após a cura, independentemente do grau de dano hepático. Os resultados sugerem que a gordura hepática – a lipotoxicidade promove o surgimento do câncer de fígado recomendando a necessidade da quimioprevenção e acompanhamento clínico desse grupo específico de pacientes. (AASLD 2020 – Poster 872).

8 – Estudo feito na Itália em 647 pacientes com cirrose, curados, tratados com medicamentos de ação direta e seguidos durante cinco anos, enfrentam um resíduo significativo de risco de desenvolver câncer de fígado e complicações hepáticas não neoplásicas, recomendando o acompanhamento permanente dos pacientes com cirrose. (AASLD 2020 – Poster 878).

9 – Estudo da Áustria comprovou que em pacientes hispânicos / latinos e não hispânicos sem cirrose ou com cirrose compensada, nunca tratados que receberam tratamento de oito semanas com glecaprevir / pibrentasvir apresentavam a mesma possibilidade de cura, simplificando assim a seleção de um tratamento de curta duração para a maioria dos pacientes. (AASLD 2020 – Poster 879).

10 – Estudo francês encontrou que entre 7 a 8% dos pacientes diagnosticados com hepatite C ainda não tinham sido tratados, sendo que atualmente poderiam ser tratados e curados de sua infecção. Este trabalho mostra que existem pacientes que sabem que estão infectados com a hepatite C, mas que ainda não receberam tratamento. A procura e o tratamento destes pacientes é uma maneira de conseguir eliminar a hepatite C. (AASLD 2020 – Poster 888).

11 – Trabalho Grego obteve resultados que sugerem que o tratamento com os medicamentos de ação direta está associado a uma melhora significativa na qualidade de vida e funcionamento psicológico dos pacientes. Além disso, o tratamento antiviral parece promissor em reverter os déficits de memória dos pacientes com hepatite C. (AASLD 2020 – Poster 890).

12 – Resultados do mundo real encontrados em seis países mostram que o tratamento da hepatite C com sofosbuvir / velpatasvir em pacientes com transtornos psiquiátricos é um tratamento simples de levar que cura a maioria dos pacientes com transtornos mentais e fatores complicadores associados, permitindo a eliminação da hepatite C nesta população de alta prioridade de tratamento. (AASLD 2020 – Poster 905).

 13 – A eficácia e segurança de antivirais de ação direta para tratamento da hepatite c em adolescentes e crianças conforme mostra uma análise abrangente realizada na base de dados de PubMed, Web of Science e Cochrane confirma que o tratamento com os medicamentos de ação direta é altamente eficaz e bem tolerado para adolescentes e crianças com hepatite C, independentemente do genótipo, histórico de tratamento, e regimes de tratamento. A duração do tratamento de 8 semanas pode ser tão eficaz quanto 12 ou 24 semanas em adolescentes e crianças. (AASLD 2020 – Poster 906).

14 – Resultados de estudo realizado na Índia mostra que na vida real os resultados do tratamento com os medicamentos de ação direta em pacientes co-infectados HIV / HCV demonstram excelentes taxas de cura e tolerabilidade, no entanto, proporção desanimadora desses pacientes procura ou completa o tratamento, delineando a necessidade de melhores programas de aconselhamento, triagem e extensão entre este grupo de pacientes de alto risco. (AASLD 2020 – Poster 908).

Por enquanto, o trabalho é exaustivo. Continuaremos na próxima semana.

Carlos Varaldo
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