Vacina da COVID em pessoas com problemas de fígado

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Foi publicado no “The Lancet Gastroenterology & Hepatology” matéria que contribui para a hepatologia estudar a respostas das diferentes vacinas para COVID em indivíduos com problemas específicos de doenças hepáticas, incluindo o transplante e a imunossupressão.

A publicação trata somente das vacinas da Pfizer/ BioNTech, da Moderna e da AstraZeneca/Oxford as quais mostram nos ensaios clínicos de fase 3 perfis de segurança excelentes, eficácia entre 62 e 95% na prevenção do COVID, todos eles conseguiram aprovação de uso emergencial, mas apesar da inclusão de quase 100.000 participantes nestes ensaios, os dados para pacientes com doença hepática são extremamente limitados.

No ensaio da Pfizer, de 37 706 participantes somente 217 (0,6%) tinham doença hepática e apenas três (menos de 0,1%) tinham doença hepática moderada a grave. 

No ensaio da Moderna, com 30.351 participantes, somente 196 (0,6%) tinham alguma doença hepática.

No ensaio da vacina da Oxford / AstraZeneca: indivíduos com doença hepática foram excluídos (exceto síndrome de Gilbert), como também os com dependência de álcool e drogas e abuso de drogas injetáveis ​​nos 5 anos anteriores a participação no ensaio.

Notavelmente, em cada estudo os critérios usados ​​para classificar a doença hepática e sua gravidade permanecem obscuros. 

Todos os ensaios listaram a imunossupressão sistêmica como um critério de exclusão, evitando assim a extrapolação dos dados para receptores de transplante de fígado imunossuprimidos ou pacientes com doença hepática autoimune. 

A compreensão detalhada de segurança dessas três vacinas e da resposta imunológica em pacientes com doença hepática virá com a vacinação em larga escala da população, com resultados nos próximos meses.

Risco de lesão hepática desconhecido

Pacientes com doença hepática avançada têm deficiências na imunidade inata e humoral, o que pode explicar parcialmente as complicações graves de COVID-19 observadas em pacientes com cirrose descompensada.

Portanto, é provável que os pacientes com cirrose tenham respostas imunológicas menores com as vacinas. No entanto, dada a alta mortalidade relacionada ao COVID-19 em pacientes com cirrose descompensada, continua sendo de extrema importância priorizar a vacinação neste subgrupo.

MEU COMENTÁRIO

A publicação não coloca nenhum dado da vacina Coronavac (Sinovac/Butantá) devido a que até o momento não existe nenhuma publicação cientifica com os resultados da fase 3 do ensaio clínico.

Fonte: SARS-CoV-2 vaccination in patients with liver disease: responding to the next big question – Thomas Marjot, Gwilym J Webb, Alfred S Barritt, Pere Ginès, Ansgar W Lohse, Andrew M Moon, et al. – Published: January 11, 2021DOI:   https://doi.org/10.1016/S2468-1253(21)00008-X

Carlos Varaldo
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